05/08/2026
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PCC em MS: relatório de 2020 já mapeava facção em 16 cidades

PCC em MS: relatório de 2020 já mapeava facção em 16 cidades

Investigação sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Mato Grosso do Sul, realizada há seis anos, já apontava a facção estruturada em pelo menos 16 cidades do Estado. O material, analisado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou o nível de organização do grupo, que cadastrava integrantes com informações como cidades de atuação, funções internas, números de matrícula, apelidos e datas de ingresso.

As informações estavam em planilhas eletrônicas encontradas em um telefone celular apreendido em 7 de julho de 2020, durante a Operação Ponto Cego. O aparelho estava com uma mulher investigada por ligação com a organização criminosa. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as planilhas reuniam 426 cadastros atribuídos a integrantes do PCC.

Após cruzar os registros com bancos de dados policiais e penitenciários, os investigadores afirmaram ter identificado 110 membros da facção, vários em posições de liderança. Desse grupo, 100 pessoas foram incluídas em denúncias à Justiça, divididas em dez ações penais.

As fichas funcionavam como um prontuário interno, com nome, codinome, matrícula, data de “batismo”, padrinhos, cidade de origem e município de atuação. No vocabulário dos registros, a cidade de atuação era chamada de “quebrada atual”, enquanto os presídios apareciam como “faculdades”. O “batismo” indicava a entrada formal do integrante na facção.

Funções e comando regional

Entre as funções mencionadas no documento estão “disciplina”, “geral da cidade”, “geral do interior” e “salveiro da disciplinar”. O setor de “disciplina” era responsável por fiscalizar o comportamento dos integrantes. Os “salveiros” cuidavam da transmissão dos comunicados internos, chamados de “salves”. Um dos denunciados foi apontado como integrante do “Salveiro da Disciplinar Rota Norte”.

Os cadastros mencionam integrantes em cidades como Campo Grande, Coxim, Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Naviraí e Mundo Novo. A distribuição dos cargos indicava que o PCC procurava organizar sua presença para além da capital e dos grandes presídios, incluindo cidades da fronteira e do interior.

As unidades penitenciárias ocupavam espaço relevante nos cadastros. Vários integrantes teriam passado pelo “batismo” enquanto estavam presos, especialmente na Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti e na Penitenciária Estadual de Dourados.

Sentenças

A reportagem localizou sete das dez ações penais abertas contra os chamados “100 do PCC”. Nos processos consultados, 50 réus foram condenados por integrar organização criminosa. As penas variaram de 3 anos e 6 meses a 7 anos, 1 mês e 21 dias de prisão, em decisões proferidas entre agosto de 2023 e maio de 2025.

Outros 19 réus tiveram os processos suspensos por não terem sido localizados, e um teve a punibilidade extinta em razão da morte. A reportagem não encontrou as outras três ações, não sendo possível atualizar a situação de 30 dos 100 denunciados. Em todos os casos ainda cabe recurso das condenações.

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