27/04/2026
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Obra de R$ 1,9 bi prevê dragagem no Rio Paraguai

Com investimento previsto de R$ 1,9 bilhão, a Lhg Mining Corumbá (antiga J&F Mineração) apresentou um projeto para ampliar a capacidade de embarque de minérios no Terminal Privativo Gregório Curvo, em Corumbá, para 15 milhões de toneladas por ano. A expansão, segundo o estudo, torna a ferrovia economicamente viável. O Rio Paraguai precisará de dragagem para garantir a navegabilidade das embarcações que transportarão o minério.

As informações constam no Rima (Relatório de Impacto Ambiental), enviado ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O terminal fica às margens do Rio Paraguai, a 428 km de Campo Grande. A reportagem perguntou sobre a capacidade atual de embarque e aguarda resposta.

Conforme o estudo, a ampliação do terminal fluvial pode impulsionar a economia, gerar empregos e promover o desenvolvimento regional. A empresa afirma que o aumento do volume de minério para 15 milhões de toneladas por ano eleva a demanda pela logística ferroviária, tornando viável o investimento da operadora Rumo no aumento da capacidade de transporte da ferrovia. Isso eliminaria um impacto na comunidade de Porto Esperança e minimizaria o atropelamento de fauna ao longo da rota viária atual.

O terminal está localizado no distrito de Porto Esperança, que tem 54 famílias e história ligada à Estação Ferroviária da Estrada de Ferro, inaugurada em 1912. A localização é estratégica para o escoamento do minério de ferro da Mina de Santa Cruz pela Malha Oeste.

Atualmente, o empreendimento possui Licença de Operação 220/2019, emitida pelo Imasul, que autoriza o armazenamento de até 700.000 toneladas por ano de minério de ferro e manganês.

Logística

Os vagões carregados de minério chegarão pela ferrovia e entrarão na pera ferroviária, usada para mudar a direção da composição. Lá passarão pelo virador de vagões para descarregamento automático. O minério seguirá para o pátio de estocagem por transportadores de correia (esteiras rolantes), com sete pilhas de estocagem previstas. A área das pilhas será descoberta e terá aspersores para controle de poeira. Foram projetados 22 transportadores de correia.

O minério de ferro granulado seguirá por transportadores para a área de peneiramento e depois para o píer. O minério mais fino (sínter feed) irá diretamente para o píer. O local terá plataformas para carregamento das barcaças com dois carregadores móveis.

Obra e empregos

A obra prevê a remoção da vegetação em uma área de 66,52 hectares, terraplenagem e abertura de acessos. Será construída uma ponte para transpor um corixo (braço de rio que se forma na cheia). Parte do material de empréstimo (solo, areia, sedimentos) virá de fornecedores locais, e parte será obtida por dragagem de manutenção de calado. O volume de dragagem é de 234.619 m³, equivalente a 94 piscinas olímpicas.

O estudo afirma que, no Rio Paraguai, serão feitas obras de dragagem de manutenção do calado para garantir a navegabilidade das embarcações e o fluxo contínuo do transporte de minério.

Estão previstos 1.642 trabalhadores no total, incluindo equipes de terraplanagem, obras civis, montagem eletromecânica, comissionamento, gerenciamento e operação. No pico das obras, serão 999 funcionários. Após a conclusão, a fase de operação exigirá 218 profissionais, mas apenas 24 vagas serão abertas – os outros 194 já atuam no terminal. A implantação está prevista entre 2026 e 2029, com entrada em operação em 2029.

Meio ambiente

A área diretamente afetada pelo projeto tem principalmente vegetação nativa (66,52 hectares, 53,93% do total), corpos d’água (42,22 hectares) e áreas modificadas pelo homem (14,61 hectares). Estão previstos programas para controle de ruídos, medidas para minimizar a poeira e controle erosivo devido à dragagem.

A dragagem será feita conforme a necessidade para garantir a profundidade adequada no canal de acesso, mantendo a navegabilidade e a segurança das operações. O estudo alerta que a retirada da vegetação que protege os cursos d’água, especialmente 18,9 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), e a dragagem do leito do Rio Paraguai podem causar o afugentamento da fauna.

O estudo será debatido em audiência pública no dia 11 de junho.

Sobre o autor: Redacao Central

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