Começar a leitura
AgorasO que acabou de acontecer
Panorama

Super El Niño de 2026 pode causar efeitos em cadeia, diz cientista

Coordenador do MMA explica quais impactos são esperados por região e quais medidas ainda dão tempo de reduzir riscos
Super El Niño de 2026 pode causar efeitos em cadeia, diz cientista

O fenômeno climático que ganhou o apelido de "Super El Niño" deve se intensificar entre outubro e dezembro de 2026 e pode gerar uma sequência de efeitos que vai além da seca e das chuvas fortes, segundo o climatologista Lincoln Alves, coordenador-geral de adaptação e resiliência à mudança do clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Em entrevista ao jornal O Globo, reproduzida pelo Folha do Estado de SC em 28 de agosto de 2026, ele descreveu o quadro esperado e as medidas ainda viáveis antes do pico do fenômeno.

Segundo Alves, o padrão deste ano deve seguir, de forma geral, o comportamento clássico do El Niño: menos chuva na Amazônia e em partes do Nordeste, e mais chuva no Sul. Já no Sudeste e em parte do Centro-Oeste, afirma o cientista, a relação é bem mais incerta, porque outros fatores climáticos, como o Atlântico Tropical e a posição de frentes frias, também interferem no resultado local.

Quem sente primeiro os efeitos do fenômeno

O especialista aponta que o Norte, o Centro do país e parte do Nordeste devem enfrentar mais ondas de calor, baixa umidade prolongada, queda no volume dos rios e maior risco de incêndios florestais. No Sul, o cenário se inverte: o risco maior é de chuva intensa em sequência, enchentes, deslizamentos e tempestades severas.

Alves reforça que o El Niño não é a causa direta de cada evento extremo isolado, mas altera as condições que tornam esses episódios mais prováveis. Ele cita como exemplo o vendaval que atingiu o Rio de Janeiro em julho de 2026, e diz que atribuir aquele episódio especificamente ao El Niño seria precipitado, já que a causa imediata foi um sistema meteorológico regional.

De acordo com dados da NOAA, agência climática dos Estados Unidos, citados pelo cientista, o índice que mede o aquecimento das águas do Pacífico já registrava alta de cerca de 1,2°C em julho de 2026, com previsão de fortalecimento contínuo. A mesma previsão da NOAA indicava 81% de chance de o fenômeno atingir a categoria "muito forte" no último trimestre do ano, o que o colocaria entre os mais intensos já registrados.

O que muda na prática para cidades e produtores rurais

Para o cientista, não há tempo, entre agora e o pico do fenômeno, para obras estruturais como novos sistemas de drenagem urbana. Mas ele lista uma série de ações operacionais que ainda podem reduzir danos: revisão de planos de contingência, inspeção de encostas e reservatórios, limpeza de canais, atualização de rotas de evacuação e reforço das equipes de Defesa Civil e saúde.

Alves defende que essa preparação não pode depender só dos municípios, já que muitos não têm estrutura técnica ou financeira própria para agir sozinhos. Ele cita o Plano Clima Adaptação, política nacional de adaptação à mudança do clima, como instrumento capaz de transformar a resposta a um evento pontual em rotina permanente de gestão de risco.

Na agricultura, o alerta recai sobre pastagens, culturas perenes e a agricultura familiar no Norte do país, onde a combinação de calor e chuva abaixo da média tende a reduzir a umidade do solo. No Nordeste, a preocupação envolve cultivos ainda em fase de desenvolvimento e a disponibilidade de água para irrigação, segundo o cientista.

Saúde e segurança hídrica entram na lista de riscos

Além dos impactos mais discutidos na agropecuária e nas áreas urbanas de risco, Alves chama atenção para a segurança hídrica e para a saúde pública. Ele explica que uma seca prolongada pode afetar rios, reservatórios, abastecimento de água em cidades, navegação e geração de energia.

Ondas de calor, segundo o cientista, aumentam a pressão sobre idosos, crianças e trabalhadores que atuam ao ar livre. Incêndios florestais, por sua vez, pioram a qualidade do ar mesmo a centenas de quilômetros de distância das áreas queimadas, o que amplia o alcance do problema para além das regiões diretamente atingidas pelo fogo.

O que observar nos próximos meses

O quadro descrito pelo cientista do MMA ainda depende da confirmação da força do fenômeno pela NOAA nos próximos boletins, já que a classificação "muito forte" segue sendo uma probabilidade, não um fato consumado. As fontes consultadas não trazem prazos ou valores de investimento anunciados pelo governo federal para a preparação, nem detalham medidas específicas já em execução em estados ou municípios.

Na prática, o que muda para o cidadão é a necessidade de acompanhar boletins oficiais de Defesa Civil e órgãos meteorológicos na própria região, já que o impacto varia bastante entre Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Produtores rurais e gestores urbanos devem observar, principalmente, o comportamento do fenômeno entre outubro e dezembro de 2026, apontado pelo cientista como o período de maior intensidade esperada.

Fontes consultadas

Mais sobre isso: acompanhe a chamada de geral e percorra a corrida de entretenimento.

Leia agora