Fim da safra de café pressiona preços e exportação no Brasil
Colheita perto do fim aumenta oferta global e derruba cotações do arábica e do robusta nas bolsas
A aproximação do fim da colheita da safra brasileira de café está pressionando as cotações internacionais do grão, segundo dados do mercado divulgados pelo boca.com.br em 28 de agosto de 2026. Entre janeiro e agosto, o preço do café arábica caiu 5,6% nas bolsas, enquanto o robusta recuou 7,6%, movimento associado ao aumento da oferta global.
O impacto atinge diretamente produtores, exportadores e toda a cadeia que depende da comercialização do grão no país. Com a colheita avançando, mais café entra no mercado ao mesmo tempo em que a produção de outras regiões cafeeiras do mundo também chega às bolsas, o que tende a segurar os preços por mais tempo.
Como os preços se comportaram até agosto de 2026
De acordo com o levantamento, a libra-peso do arábica passou de US$ 3,57 no início do ano para US$ 3,37 em agosto. Já o robusta caiu de US$ 4.132 para US$ 3.816 por tonelada no mesmo período.
Apesar da queda acumulada, o terceiro trimestre trouxe uma recuperação parcial e instável para o arábica. O motivo, segundo a reportagem, foi o atraso em algumas colheitas desse tipo de grão, que aliviou momentaneamente a pressão de oferta, combinado a uma demanda firme pelo robusta.
Ainda assim, essa oscilação das bolsas não tem se refletido de forma integral no que o produtor recebe. Há uma diferença relevante entre o valor negociado nos contratos futuros e o preço praticado no mercado físico, o que reduz o ganho efetivo de quem vende o café diretamente.
Chuvas em julho afetaram qualidade da colheita
O clima também entrou na equação. Chuvas acima da média em julho dificultaram tanto a colheita quanto a secagem dos grãos, fazendo com que uma parcela maior do café ficasse em contato direto com o solo por mais tempo.
Esse contato prolongado pode comprometer a qualidade do produto final, o que tende a ampliar a diferença de preço entre lotes de melhor e pior qualidade nos próximos meses.
Exportações caem, mas robusta cresce
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 20,7 milhões de sacas de café, uma retração de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025. Somente em julho, o embarque de arábica verde recuou 8,7%, para 1,8 milhão de sacas.
Na direção oposta, a exportação de robusta verde saltou 84,1% em julho, chegando a 851 mil sacas. O volume maior pode contribuir para recompor estoques globais que estavam pressionados, embora a perda de qualidade em parte da produção deva acentuar as diferenças de preço entre partidas do grão.
Fatores externos também pesam no mercado
Do lado comercial, os Estados Unidos não aplicaram tarifas sobre o café brasileiro, o que é visto como favorável para os exportadores do país. Já na Colômbia, um terremoto de magnitude 7,4 afetou a logística de escoamento do café colombiano, sem, no entanto, causar danos relevantes às lavouras, conforme apurado pelo boca.com.br.
Essa combinação de fatores, tarifa favorável ao Brasil de um lado e dificuldade logística em país concorrente do outro, pode abrir espaço para que outros fornecedores globais ganhem participação no mercado nos próximos meses.
O que muda na prática para quem depende do café
Para o produtor brasileiro, o cenário reforça a necessidade de acompanhar de perto a diferença entre o preço da bolsa e o valor pago no mercado físico antes de fechar negócios, já que os dois nem sempre andam juntos. Quem colheu com chuva deve avaliar com cuidado a qualidade do lote, pois grãos que ficaram em contato com o solo tendem a valer menos.
Para o consumidor final, ainda não há confirmação de como essa queda nas cotações internacionais vai se refletir no preço do café no supermercado brasileiro, já que a formação de preço no varejo depende de outros fatores, como custos de torrefação, distribuição e tributos. O que se sabe, por ora, é que a pressão vem do aumento da oferta global com o avanço da colheita e da entrada de grãos de outras regiões produtoras nas próximas semanas.
Fontes consultadas
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