26/05/2026
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MS tem 3ª maior taxa de suicídio infantojuvenil do Brasil

Mato Grosso do Sul registrou a terceira maior taxa de suicídios entre crianças e jovens de 10 a 19 anos do Brasil em 2024. O dado faz parte do Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A taxa no estado foi de 7 mortes por 100 mil habitantes nessa faixa etária. O índice fica atrás apenas do Amazonas, com 7,7, e do Amapá, com 7,5.

O Atlas reúne dados desde 2014. Em 11 anos, a taxa em Mato Grosso do Sul caiu 16,7%. O maior índice da série foi registrado em 2017, com 12,3 mortes por 100 mil habitantes. A queda mais acentuada ocorreu entre 2023 e 2024, quando a taxa passou de 10,6 para 7,0. Em números gerais, 469 crianças e jovens de Mato Grosso do Sul tiraram a própria vida entre 2014 e 2024.

As internações de crianças, adolescentes e jovens após uma tentativa de suicídio registrada como “lesão autoprovocada voluntariamente” dispararam no estado. Nos 11 anos observados, a taxa de pacientes aumentou 971,4%. Nenhum outro estado se aproxima desse valor. A segunda maior no Brasil é a da Paraíba, com 516,7%.

O Atlas também aponta um quadro grave entre indígenas em Mato Grosso do Sul. Esses dados não são separados por faixa etária, portanto não é possível afirmar, apenas com essa tabela, quanto esse grupo pesa no recorte de 10 a 19 anos. A taxa de suicídio entre eles é a maior do Brasil, com 151,8 mortes por 100 mil habitantes em 2024. O índice é cerca de sete vezes maior que a média indígena nacional e quase 20 vezes superior ao da população brasileira em geral. Em números absolutos, foram 42 mortes no Estado no último ano.

O documento reforça que o suicídio é desencadeado por questões sociais, biológicas e psicológicas. Quando se observa o aumento em um estado, isso pode representar que houve um crescimento no número de casos ou na quantidade de ocorrências notificadas.

Sobretudo na adolescência, o Atlas chama atenção para um ponto crítico relacionado ao ambiente digital. “O crescimento das lesões autoprovocadas e sua associação com o sofrimento psíquico apontam para um cenário em que a saúde mental dos jovens se deteriora sob a influência de fatores sociais, emocionais e tecnológicos. A ampliação das interações em redes digitais, somada à exposição a conteúdos violentos e discursos que naturalizam desigualdades, potencializa riscos já existentes e amplia a complexidade do problema”, diz o Atlas.

Sobre o autor: Redacao Central

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