15/08/2026
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Crise na Bolívia: filas de até 3 dias por combustível

Crise na Bolívia: filas de até 3 dias por combustível

A Bolívia enfrenta uma crise no abastecimento de combustíveis que já causa reflexos na fronteira com o Brasil. Quem pretende viajar para o país vizinho por Corumbá deve encontrar dificuldades, com filas de até três dias em postos de gasolina e falta de diesel em algumas regiões.

Em cidades como La Paz, Cochabamba e Santa Cruz, motoristas chegam a esperar três dias para abastecer. Muitos permanecem dentro dos veículos durante a espera para não perder a vez na fila.

A escassez também atinge o setor agrícola boliviano, que está no período de colheita de inverno. Em Fernández Alonso, no norte de Santa Cruz, produtores rurais fizeram bloqueios pontuais de estradas para protestar contra a falta de diesel. Segundo eles, o combustível destinado ao campo não é entregue há vários dias.

A Asosur, associação de varejistas privados de hidrocarbonetos de Santa Cruz, informou que os volumes enviados ao departamento tiveram redução. Em coletiva na quinta-feira (13), a gerente da entidade, Susy Dorado, afirmou que a região precisa de cerca de 3,5 milhões de litros de gasolina por dia, além de volume semelhante de diesel. Os montantes distribuídos hoje não cobrem a demanda.

Brasileiros afetados

A crise também atingiu brasileiros que passavam pela Bolívia em direção a Corumbá. Um ônibus fretado com torcedores do São Paulo ficou três dias parado aguardando combustível para voltar ao Brasil, após a partida contra o Bolívar, em La Paz, pela Copa Sul-Americana, disputada na terça-feira (11).

Na chegada à fronteira, os torcedores relataram as dificuldades ao Diário Corumbaense. “Tivemos que ficar três dias na fila em um posto de gasolina para abastecer o nosso ônibus. Logo que conseguimos, viemos embora. Chegamos aqui na fronteira, vamos fazer os trâmites de migração da Bolívia e da Polícia Federal, para seguirmos viagem até São Paulo”, disse Rubens Velloso.

Ele afirmou que os passageiros ficaram preocupados com a possibilidade de não retornar. “O ônibus foi fretado e ficamos com muito receio de não conseguirmos voltar e ficarmos na fila, mas conseguimos”, completou. O motorista do coletivo, conhecido como “Motora”, precisou dormir na fila enquanto esperava o abastecimento.

Falhas logísticas

O ministro da Economia da Bolívia, José Gabriel Espinoza, declarou que a falta de combustíveis não está ligada a problemas financeiros ou à escassez de moeda estrangeira. Segundo ele, a dificuldade é causada por “falhas logísticas” na distribuição.

A expectativa é por um novo pronunciamento da YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), que deve informar a situação do abastecimento e as medidas para tentar normalizar a distribuição de gasolina e diesel no país.

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