22/05/2026
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Bruno Gagliasso questiona: por que homens não choram?

Bruno Gagliasso precisou sair de casa enquanto rodava o filme “Por um fio”, que estreia em outubro e é baseado no livro homônimo de Drauzio Varella. No longa, o ator de 44 anos vive o irmão do médico, que morre de câncer. Na tela, sua interpretação comove à medida que a doença avança e ele vai escalando o estado de tristeza. O trabalho mexeu com o corpo — perdeu 24 quilos — e a cabeça, tornando-o mais sensível. Ele assume que leva o personagem para casa, o que diretores definem como “intenso”.

O vasto cardápio de personagens inéditos que encarna reitera essa intensidade: líder estudantil no longa “Honestino” (previsto para estrear no segundo semestre nos cinemas); escravocrata moderno em “Corrida dos bichos” (em agosto, na Amazon Prime); versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI” (no final do ano, na telona); perigoso dono de construtora na série “Rauls” (no fim do ano, na Netflix); e playboy traficante da sétima temporada de “Impuros” (em 2027, na Disney+).

Bruno participou do “Conversa vai, conversa vem”, videocast do GLOBO, que foi ao ar hoje, às 18h, no Youtube e no Spotify. Em um trecho da entrevista, ele comentou sobre a preparação para o filme: “Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”.

Perguntado sobre como “Por um fio” mexeu com ele, Bruno disse que não tinha como não ir fundo. “É uma história de amor entre irmãos que mostra a fragilidade da vida. Mexeu demais comigo. Meu personagem morre de câncer, perdi amigos para a doença. Olhar para os meus filhos foi dolorido. Do nada, falavam comigo e eu começava a chorar.” Ele afirmou que esse foi um dos personagens que o fez decidir escolher, daqui pra frente, só papéis que o emocionem ou transformem as pessoas.

Sobre transitar em universos diferentes, ele explicou que procura existir e não atuar. “Preparadores me ajudam nesse encontro comigo mesmo. É por isso que saio de casa: fico longe porque gosto de emburacar. Eu levo o personagem para casa, não sei separar meu trabalho. Preciso ficar pensando nele 24 horas.”

Bruno também falou sobre sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, dedicada à filha Titi. “De todas as histórias, essa é a mais afetiva. Fiz esse filme pra ela. Colocar uma menina preta como protagonista… É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro.” Ele contou que procurou Vini Jr. para ser produtor associado e o jogador topou na hora.

O ator destacou a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político. “Se estive do lado da escória da História, também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje.”

Sobre o desapego estético em “Honestino” e “Por um fio”, Bruno afirmou que ficar feio é um recurso dramatúrgico para fugir do lugar de galã. “Hipocrisia dizer que não. Perdi muito protagonista de novela das oito porque falava: ‘Não quero fazer o galã, prefiro um papel menor’.”

Ele também comentou sobre sua estatura de 1,70m. “Já foi uma questão. Cansei de usar salto. Essas questões são fortes quando se é mais novo. Falaram que estava feio de tão magro em ‘Por um fio’. Não me achei, porque tinha que estar daquele jeito. Nunca a vaidade da beleza vai ser maior do que a minha profissional.”

Bruno falou sobre o TDHA e a hiperatividade. “Fui expulso de três escolas. Tomo remédio desde sempre. Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido. Quantas vezes fui filmar no Projac de carro e voltei com o motorista? Esqueci que estava de carro.”

Sobre dinheiro, disse que talvez sua extravagância seja ter 12 cavalos. “Gosto de dinheiro, mas gosto muito mais de tempo. Quero ter tempo para buscar minha filha na escola. Me vejo mais como investidor e realizador do que empresário.”

Questionado sobre a adoção de filhos na África, ele respondeu: “Eu vivo o que acredito, essa coerência. Amor não tem CEP. Não escolhi ir para a África para me tornar pai. Minha mulher se tornou mãe e eu me tornei pai porque ela foi visitar um país e encontrou o grande amor da vida dela, que é a nossa filha.”

Sobre o autor: Redacao Central

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