Juliana Ferreira de Farias, de 35 anos, transformou o crochê, aprendido aos 6 anos de idade, em sua profissão. A relação com as linhas e agulhas começou na infância, quando observava a mãe trabalhar. Sem aulas formais, ela aprendia sozinha, experimentando os movimentos que via. Hoje, grande parte do seu guarda-roupa é feita por ela mesma, incluindo blusas, biquínis, saias, casacos e vestidos.
O que começou como observação se tornou um hobby, depois uma fonte de renda e, atualmente, sua ocupação principal. “Praticamente todo tipo de roupa que existe em crochê eu já produzi ao longo da minha trajetória. Grande parte do meu próprio guarda-roupa é composta por peças em crochê feitas por mim. Diria que cerca de 70% das roupas que uso têm alguma relação com o artesanal”, afirma Juliana.
Ainda criança, ela já fazia pequenas encomendas, como bicos de pano de prato para professoras, pulseirinhas e roupinhas de boneca, e vendia na escola. Na adolescência, criou junto com a mãe a marca Jú e Jô Crochê e Bordados. Enquanto a mãe se dedicava a bordados e peças de decoração, Juliana focava no vestuário, produzindo biquínis, vestidos, mantas e tapetes infantis.
A marca durou cerca de 10 anos. Durante a pandemia, ela começou a gravar vídeos para ensinar crochê e trabalhos manuais, que foram parar no Instagram e no YouTube. Isso abriu caminho para parcerias com marcas e projetos culturais. Após o isolamento, trabalhou em uma fábrica e loja de fio de malha em Campo Grande, mas decidiu se dedicar exclusivamente à produção de conteúdo e ao ensino do crochê.
Formada em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Juliana atuou como professora por um período. Hoje, seu foco é o ensino de vestuário em crochê, oferecendo cursos, mentorias, workshops e aulas presenciais sobre modelagem, construção de peças e empreendedorismo artesanal. “Como o meu principal foco hoje é o ensino de vestuário em crochê, acabei desenvolvendo muita experiência com modelagem e construção de peças. O vestuário sempre foi a minha maior especialidade”, diz.
Além de fazer as próprias roupas e ensinar, Juliana também produz peças para marcas, muitas vezes exclusivas, que nem sempre podem ser divulgadas publicamente. “Ao longo da minha trajetória, acredito já ter produzido centenas de peças de vestuário em crochê”, conclui.
