No Dia das Mães, enquanto muitas recebem flores e almoço em família, outras enfrentam a dureza dos portões de um presídio para ter a chance de receber um abraço do filho. Nas primeiras horas deste domingo (10), dia em que se celebra a data, mães já formavam fila no estabelecimento penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande, mesmo com o frio intenso.
Entre elas, estava a doméstica Maria Auxiliadora, de 64 anos, que chegou por volta das 6h. Além do Dia das Mães, a data também carrega um significado especial para ela: era seu aniversário. Ainda assim, não havia bolo, nem festa, nem abraço dos filhos ao redor da mesa. Havia, sim, a espera. A mesma de três anos seguidos, sem falhar um único dia de visita.
Com os olhos marejados, Maria tentou explicar o que a leva ali, mesmo diante de tantas dificuldades. “Eu estou aqui visitando o meu filho, não é por obrigação que eu estou aqui, é por amor ao meu filho. Nós que somos mães, nós amamos nosso filho acima de tudo, não importa o que ele fez”, enfatizou. Ela conta que o próprio filho pede para que ela não vá com tanta frequência. “Ele fala para mim: ‘mãe, não precisa estar vindo direto’. Mas eu venho, porque eu amo. É o meu filho.”
Mãe de cinco filhos, ela não mede o amor em partes. “O amor de mãe não pesa na balança, é tudo igual. Enquanto eu estiver viva, tiver força, vou fazer para os meus filhos, sempre. Não vou deixar de sentir amor por nenhum deles. Não tem explicação, só Deus sabe o amor da gente pelo filho”, destacou.
Na fila, histórias como a dela se repetem. Rostos marcados pelo cansaço e pela saudade compartilham o mesmo destino naquele dia. A dona de casa Maria Aparecida, também com 64 anos, segura firme a própria dor. Desde novembro do ano passado, não perde uma única visita ao filho. E, como tantas outras, também não consegue conter as lágrimas ao falar. “Tenho nem o que falar, é uma situação horrível, muito horrível, dolorosa. Sensação de perda”, lamentou.
Ela descreve que não tem tempo ruim para visitar o filho. “Venho no frio, na chuva, no sol. Não importa. Venho todas as vezes. Não falto. Só se eu morrer. Eu falo que o amor de mãe é semelhante ao amor de Deus, não tem igual”, finalizou.
Do lado de fora, a cena era marcada por pequenos gestos de resistência ao frio. Elas ajustavam as sacolas carregadas de alimentos, arrumavam os casacos, esfregavam as mãos para esquentar. Ali, apesar do frio que castigava, nenhuma delas estava disposta a ir embora.
