09/05/2026
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Endividamento rural domina discursos na Expoagro em Dourados

A 60ª edição da Expoagro, em Dourados, se tornou um palco de pressão política e econômica do agronegócio. Neste sábado (9), o tema que mais apareceu nos discursos de lideranças do setor foi o endividamento rural, tratado como uma ameaça direta à continuidade da atividade no campo.

Presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino Ferreira fez um dos discursos mais duros do evento. Ao comentar a situação financeira dos produtores, afirmou que o campo vive um cenário oposto ao comemorado pelo governo federal. “Enquanto o governo federal comemora safra recorde o produtor vive um dos momentos mais difíceis, devendo para bancos, empresas e cooperativas. Se continuar assim não vai mais haver produção e essa terra estará nas mãos de um sistema ganancioso”, declarou.

Gino também criticou os conflitos fundiários envolvendo áreas indígenas em Mato Grosso do Sul. Afirmou que produtores rurais convivem com insegurança, furto de gado e desrespeito a títulos de propriedade. Segundo ele, “transformaram metade de Mato Grosso do Sul em terra indígena”. Disse que a situação só não é pior por causa da atuação das forças de segurança estaduais.

A senadora Tereza Cristina (PP) concentrou o discurso na crise financeira e classificou o momento como uma “tempestade perfeita”. Citou juros elevados, queda no preço das commodities, falta de seguro rural, aumento no custo dos insumos e impactos das guerras internacionais sobre fertilizantes e defensivos. “Nós temos juros que não cabem no bolso de quem produz”, afirmou.

A senadora alertou para o crescimento das recuperações judiciais no campo e disse que produtores estão perdendo propriedades. Segundo ela, o problema pode chegar ao consumidor por meio da inflação dos alimentos. “Hoje são 170 bilhões para rolar essa dívida”, disse. Tereza defendeu a criação de um fundo garantidor e criticou o baixo alcance do seguro rural. “Precisamos no mínimo de 6 bilhões para fazer rodar o seguro rural”, afirmou.

Ela ainda mencionou problemas com licenciamento ambiental, custos logísticos e dependência brasileira de fertilizantes importados. Segundo ela, conflitos internacionais afetam o custo de produção no campo.

O governador Eduardo Riedel (PP) também reconheceu as dificuldades e comparou o cenário a crises do fim dos anos 1990. “O setor agrícola passa por dificuldade. Talvez das maiores que a gente já viu”, afirmou. Riedel atribuiu parte da crise ao cenário macroeconômico e criticou os juros elevados. “Não tem como com juro de 15, 17, 18% ao ano qualquer negócio prosperar”, declarou.

O governador afirmou que a solução depende de articulação entre Congresso Nacional e Governo Federal. Criticou políticas de estímulo ao gasto público, que pressionam inflação e juros. Riedel também respondeu a críticas sobre áreas indígenas e defendeu separar ações criminosas de demandas sociais. “As comunidades indígenas merecem respeito, merecem água, merecem pavimento na aldeia, merecem habitação”, disse. Afirmou que invasões e práticas ilegais não podem ser toleradas. “Elas não podem e não devem exercer algo que infringe o direito alheio e a liberdade de produzir nesse país”, completou.

A Expoagro segue até o dia 17 de maio no Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho, em Dourados.

Sobre o autor: Redacao Central

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