Ao passar pela Avenida Eduardo Elias Zahran, em Campo Grande, é possível encontrar diversos imóveis de grande porte disponíveis para venda ou locação. Em uma das vias mais movimentadas da Capital, proprietários e imobiliárias apontam como principais entraves a falta de estacionamento e a necessidade de readequação de prédios antigos.
Um proprietário de um dos imóveis disponíveis para locação, que não quis se identificar, afirma que o prédio, construído em 1990, sempre esteve ocupado, mas, nos últimos anos, tem enfrentado dificuldades para atrair interessados. O espaço possui 650 metros quadrados de área construída.
“Nos últimos anos eu tive problema de ocupação pelo tamanho e valor, e quando fizeram aquele canteiro central na Zahran, há muito anos atrás, também dificultou, porque diminuiu a calçada, não dá pra estacionar. O problema da Zahran é estacionamento”, disse.
Além da falta de vagas, o proprietário avalia que o país atravessa um período de dificuldades econômicas, o que impacta diretamente nos negócios. Outro imóvel na via precisou passar por adequações para viabilizar sua ocupação. De acordo com trabalhadores de uma obra no local, um prédio que estava com construção paralisada desde 2013 deve abrigar, em breve, uma clínica. Ao lado, no mesmo trecho da avenida, foi construído um estacionamento para atender à demanda.
A vice-presidente do CRECI-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul), Simone Leal, afirma que a situação da Avenida Zahran resulta de uma combinação de fatores, como questões de trânsito e mudanças no comportamento do consumidor. “Há sinais públicos de queda forte no movimento em galerias da avenida após a saída de um âncora comercial, além de congestionamentos frequentes, o que piora a circulação e a visibilidade dos pontos”, destacou, em nota.
Simone explica que a saída de grandes estabelecimentos comerciais costuma reduzir o fluxo de pessoas na região, afetando diretamente pequenos lojistas. Ela também cita a descentralização do comércio para os bairros, problemas de sinalização e a escassez de estacionamento como fatores que contribuem para o cenário. “Em Campo Grande há uma tendência de descentralização do consumo, com bairros fortalecendo suas próprias centralidades, o que reduz a dependência de avenidas tradicionais. Isso não significa que a região esteja acabando, mas que o modelo de comércio precisa se adaptar ao novo padrão de consumo”, esclarece.
Uma imobiliária, que também preferiu não se identificar, mantém um imóvel à venda na avenida e ainda aposta no potencial da região. No entanto, aponta que o prédio enfrenta entraves por estar em processo de inventário e por demandar readequações, já que se trata de uma construção antiga. A vice-presidente do Creci-MS acrescenta que a presença de muitos imóveis vagos em uma mesma área pode indicar dificuldade de absorção pelo mercado, quando a oferta cresce em ritmo maior que a demanda. “Imóveis ficam mais difíceis de vender ou alugar quando o entorno perde vitalidade ou passa a ser visto como menos prático para o cliente”, analisa.
