16/03/2026
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Página perdida de Arquimedes é encontrada

Uma das três páginas desaparecidas do palimpsesto de Arquimedes, um manuscrito do século 10 com cópias dos tratados do cientista grego, foi descoberta em um museu da França.

Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, foi o responsável por encontrar a página.

Os tratados de Arquimedes foram copiados no século 10. Mais tarde, por volta dos séculos 12 e 13, foram apagados e reciclados para se tornarem um eucológio, um livro de orações. Os trabalhos de Gysembergh foram publicados no dia 6 de março na revista alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik.

A história do palimpsesto teve um caminho inusitado. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg (1791-1860) o encontrou no final do século 19. Em 1906, ele o fotografou página por página. Porém, o documento sumiu em meio à Primeira Guerra Mundial.

Ele reapareceu em 1996 na França em uma coleção privada, por ocasião de uma venda em leilão. Nesse intervalo de tempo, no entanto, desapareceram 3 das 177 páginas do palimpsesto.

Uma delas é a que Gysembergh encontrou no Museu de Belas Artes de Blois, no centro da França. A descoberta se deu um pouco por acaso, segundo o pesquisador.

O pesquisador começou a sua busca por meio do Arca, um catálogo online de manuscritos digitalizados. Ele comparou a página encontrada em Blois com as fotos tiradas em 1906, que estão disponíveis online através da Biblioteca Real da Dinamarca.

Gysembergh afirmou que o estilo da escrita é exatamente o mesmo, cada letra é idêntica. A figura geométrica é exatamente a mesma, exatamente no mesmo lugar. Era o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.

A página contém, de um lado, o texto da cópia, muito visível, e do outro, um desenho recente, provavelmente adicionado no século 20 pelo proprietário, para tentar aumentar o valor do documento.

O pesquisador espera agora poder realizar, no próximo ano, uma análise para decifrar o texto. A descoberta reaviva a esperança de encontrar um dia as outras duas páginas que faltam.

Gysembergh disse que, até este achado, não havia motivo para esperar que as outras fossem encontradas. Agora, se instituições ou colecionadores privados possuem esse tipo de manuscritos, devem pensar que poderia se tratar de algum dos outros perdidos.

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