19/07/2026
Noticias Agoras»Notícias»Varejo de MS cresce 3x mais que média nacional, mas inflação preocupa

Varejo de MS cresce 3x mais que média nacional, mas inflação preocupa

Varejo de MS cresce 3x mais que média nacional, mas inflação preocupa

O comércio de Mato Grosso do Sul continua puxando a economia estadual em 2026, com um desempenho que supera a média nacional. Dados do Termômetro do Varejo, divulgados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), mostram que o varejo ampliado acumulou crescimento de 5,4% entre janeiro e abril. O índice é três vezes superior ao registrado no Brasil no mesmo período, de 1,8%.

O resultado reforça a resiliência do consumo no Estado, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido, pela expansão industrial e pelo desempenho das exportações. Mas os números também revelam mudanças no ambiente econômico, com a volta da pressão inflacionária, desaceleração dos serviços e dificuldades na geração de empregos pelo comércio.

“O varejo segue crescendo acima da média nacional, mas alguns indicadores passaram a exigir atenção maior dos empresários”, avalia a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago.

Mesmo após recuar 2,5% em abril na comparação com março, o varejo ampliado sul-mato-grossense mantém trajetória positiva no acumulado do ano. No comércio varejista tradicional, o avanço chega a 3%, também acima dos 2% observados nacionalmente.

Inflação volta ao radar

O principal ponto de atenção apontado pelo levantamento está no comportamento dos preços. Depois de registrar inflação acumulada de 2,1% nos 12 meses encerrados em fevereiro, Campo Grande viu o índice avançar para 4,3% em maio. Embora permaneça abaixo da média nacional, de 4,7%, o movimento interrompe a tendência de desaceleração observada nos meses anteriores.

Somente em maio, o IPCA da Capital foi de 1,31%, impulsionado principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 2,09%. A elevação dos preços reflete tanto fatores climáticos que afetaram a oferta de alimentos quanto os impactos indiretos da alta dos combustíveis sobre a cadeia de distribuição.

Entre os segmentos com maiores aumentos acumulados em 12 meses aparecem Vestuário (6,4%), Habitação (6,3%), Despesas Pessoais (5,2%), Educação (5%) e Transportes (4,5%). O avanço da inflação preocupa porque reduz o poder de compra das famílias e pode comprometer o ritmo de crescimento do consumo ao longo do segundo semestre.

Comércio na contramão do emprego

Outro dado que chama atenção é o desempenho do mercado de trabalho no setor. Embora Mato Grosso do Sul tenha criado 14.527 empregos formais entre janeiro e abril, o comércio acumula saldo negativo de 517 vagas no período.

A situação se repete em Campo Grande. Enquanto a Capital registra saldo positivo de 2.685 empregos em 2026, o comércio perdeu 566 postos de trabalho. Apenas em abril, o saldo geral da cidade foi negativo em 285 vagas.

O contraste mostra que o crescimento das vendas não tem sido suficiente para impulsionar contratações no setor, movimento associado ao aumento da produtividade, digitalização dos negócios e cautela dos empresários diante do cenário econômico.

Indústria assume protagonismo

Se o comércio segue forte, a indústria aparece como o grande destaque da economia sul-mato-grossense neste início de ano. A produção industrial acumulou crescimento de 8% entre janeiro e abril, quase cinco vezes acima da média brasileira, que ficou em 1,7%.

O desempenho reflete a expansão das cadeias ligadas à celulose, proteína animal e processamento agroindustrial, segmentos que continuam atraindo investimentos e ampliando a capacidade produtiva do Estado. Já o setor de serviços mostra perda de fôlego. O crescimento acumulado foi de apenas 0,4%, muito abaixo dos 2,2% registrados nacionalmente.

Agro reduz expectativa

No campo, a expectativa continua positiva, embora menos otimista do que no início do ano. A projeção para o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Mato Grosso do Sul foi revisada de 1,3% para 0,7% em 2026. A redução reflete oscilações nos preços internacionais e ajustes nas estimativas de produção. Ainda assim, o desempenho esperado permanece superior ao cenário nacional, que projeta retração de 4,6%.

Exportações sustentam atividade

Enquanto parte dos indicadores domésticos mostra desaceleração, o comércio exterior continua funcionando como uma das principais engrenagens da economia estadual. Entre janeiro e maio, Mato Grosso do Sul exportou US$ 4,7 bilhões, crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

A soja permanece como principal produto exportado, responsável por 38,8% das vendas externas. Em seguida aparecem a carne bovina, com 20,9%, e a celulose, com 18,2%. O resultado reforça a diversificação da pauta exportadora e a consolidação do Estado como um dos principais polos agroindustriais do país.

Crédito cresce menos

Os dados do Banco Central mostram ainda uma desaceleração na expansão do crédito. Em abril, o volume de financiamentos para pessoas físicas cresceu 6,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Entre as empresas, a expansão foi de 14,4%.

Ao mesmo tempo, a inadimplência alcançou 7% entre consumidores e 4,3% entre empresas, sinalizando que juros elevados continuam pressionando o orçamento das famílias e o caixa dos negócios. O conjunto dos indicadores mostra uma economia ainda aquecida, impulsionada pelo comércio, pela indústria e pelas exportações. Mas também evidencia que os próximos meses serão marcados por desafios, especialmente no controle da inflação, na recuperação do emprego no varejo e na manutenção do ritmo de crescimento.

Sobre o autor: Redacao Central

Equipe que trabalha em conjunto na redação e revisão de conteúdos com atenção à qualidade editorial.

Ver todos os posts →