Leopold Aschenbrenner, o gestor de um fundo de hedge focado em inteligência artificial, viu seu patrimônio despencar de US$ 45 bilhões para cerca de US$ 10 bilhões em poucos dias. O colapso ocorreu após a venda forçada de todas as suas posições alavancadas em ações de semicondutores para a Citadel, de Ken Griffin, com desconto.
O fundo, chamado Situational Awareness, atingiu seu pico no início de julho. Na quinta-feira, após a liquidação de nomes como SK Hynix e CoreWeave, os ativos caíram drasticamente, segundo pessoas com conhecimento da situação. A queda do fundo, que usava até 400% de alavancagem, era vista como inevitável por alguns traders.
Aschenbrenner, de 24 anos, é um ex-pesquisador da OpenAI. Ele ganhou destaque em 2024 com um ensaio de 165 páginas sobre superinteligência artificial, que se tornou leitura obrigatória no Vale do Silício. O fundo, lançado em julho daquele ano, acumulava ganhos de mais de 1.000% desde o início, conforme noticiado pelo Wall Street Journal no mês passado.
Antes de criar o fundo, Aschenbrenner não tinha experiência em gestão de dinheiro. Ele trabalhou na extinta corretora de criptomoedas FTX, onde ajudou o fundador Sam Bankman-Fried em uma instituição de caridade. Em 2023, entrou para o time de superalinhamento da OpenAI, sob a liderança de Ilya Sutskever.
A demissão da OpenAI ocorreu depois que ele foi acusado de compartilhar informações confidenciais de forma inadequada. Aschenbrenner contestou a acusação, afirmando que estava levantando preocupações sobre as práticas de segurança da empresa.
Trajetória e críticas
Nascido na Alemanha, Aschenbrenner se formou no ensino médio aos 15 anos e foi orador da turma na Universidade Columbia aos 19. Ele co-fundou o capítulo local de Altruísmo Eficaz, filosofia que defende que fundadores ganhem o máximo possível para ajudar a humanidade. Essa rede o levou até a FTX.
Seu ensaio de junho de 2024 argumentava que a inteligência artificial geral poderia chegar em poucos anos e que os governos subestimavam o ritmo do progresso. Críticos disseram que o texto exagerava as capacidades da tecnologia e a própria certeza do autor sobre o futuro.
O colapso do fundo coincide com o casamento de Aschenbrenner, marcado para este fim de semana. Ele é noivo de Avital Balwit, chefe de gabinete do CEO da Anthropic, Dario Amodei. Cerca de dois terços das posições do fundo estavam em ações públicas e o restante em empresas privadas, com destaque para um investimento de vários bilhões de dólares na Anthropic.
