19/07/2026
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Feminicídio: metade dos casos ocorre em casa à noite

Feminicídio: metade dos casos ocorre em casa à noite

Dados do Mapa do Feminicídio 2026, divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mostram que metade dos assassinatos de mulheres no estado ocorreu dentro de casa e durante a noite. O levantamento abrange os primeiros cinco meses do ano.

Entre janeiro e maio, os casos de feminicídio, consumados e tentados, aumentaram 23% em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o MPMS, 65,5% das mulheres assassinadas foram mortas pelos próprios companheiros ou cônjuges, enquanto 15,3% tiveram como autores ex-companheiros ou ex-maridos.

O levantamento do Campo Grande News aponta que 12 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado até maio. As vítimas tinham entre 18 e 74 anos e foram mortas em cidades como Bela Vista, Corumbá, Coxim, Três Lagoas, Ponta Porã, Anastácio, Paranhos, Selvíria, Campo Grande, Eldorado, Mundo Novo e Dourados.

Metade dos feminicídios aconteceu à noite, período em que vítimas e agressores normalmente estão juntos em casa. Outros 33,3% dos crimes ocorreram à tarde e 16,7% pela manhã. A residência compartilhada pelo casal foi o local de 50% dos assassinatos, enquanto as vias públicas responderam por 16,7% dos casos.

O Mapa do Feminicídio mostra que a arma branca continua sendo o instrumento mais utilizado. Facas e outros objetos cortantes foram empregados em 47% dos registros analisados. Na sequência aparecem atropelamento, armas de fogo e asfixia ou estrangulamento.

Das 12 mulheres assassinadas neste ano, Liliane de Souza Bonfim Duarte, Vera Lúcia da Silva e Beatriz Benevides da Silva foram mortas em casa. Liliane, enfermeira de 52 anos, foi atacada dentro da residência da família em Ponta Porã. O autor, segundo a investigação, foi o marido, subtenente do Corpo de Bombeiros. Ela morreu dias depois de ser agredida com uma marreta.

Vera Lucia da Silva, de 41 anos, foi assassinada no quintal da própria casa em Eldorado, diante da filha de 9 anos. O ex-companheiro chegou ao imóvel e atirou contra ela. Dias depois, o corpo de Vera foi violado no cemitério. Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi morta na madrugada de 25 de fevereiro no apartamento que havia alugado em Três Lagoas. O namorado confessou o crime.

Mais de 80% das vítimas não possuíam medida protetiva de urgência em vigor quando foram assassinadas. O índice reforça um dos desafios enfrentados pela rede de proteção: fazer com que mulheres em situação de violência procurem ajuda antes que as agressões evoluam para o desfecho fatal.

Durante o lançamento da campanha “Você Merece um Amor Leve”, promovida pelo MPMS, integrantes da instituição destacaram que informação e conscientização são ferramentas para romper ciclos de violência. A campanha alerta para sinais como controle excessivo, ameaças, humilhações e isolamento social.

Em situações de emergência, mulheres podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou a Guarda Civil Metropolitana pelo 153. Também é possível buscar orientação na Ouvidoria do MPMS, pelo canal 127, ou procurar a Promotoria de Justiça mais próxima. A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima.

Sobre o autor: Redacao Central

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