O encontro dos rios Touro Morto e Aquidauana, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, cria um contraste visual impressionante. As águas barrentas do Aquidauana correm lado a lado com as águas transparentes do Touro Morto sem se misturar por vários quilômetros. O fenômeno é semelhante ao que ocorre com os rios Negro e Solimões, no Amazonas.
O pescador esportivo Bruno Girotto compartilhou um vídeo do encontro dos rios na quarta-feira (1º) na página Pescadores MS, no Instagram. A página é dedicada a mostrar rios e expedições de pesca em Mato Grosso do Sul.
Nas imagens, Girotto explica que a faixa escura visível é o Rio Touro Morto. “Fica escura porque dá para ver o fundo do rio, de tão transparente que ele é por vir de vazante”, disse. A gravação foi feita durante uma ação publicitária na transmissão da Copa do Mundo, no jogo entre Brasil e Japão, na segunda-feira (29). A ideia era mostrar que é possível assistir futebol mesmo estando em um barco.
O local filmado é o mesmo onde o caseiro Jorge Avalo, de 60 anos, morreu após o ataque de uma onça-pintada em abril do ano passado. A vítima, conhecida como Jorginho, trabalhava em um pesqueiro na região chamada de Touro Morto. Girotto confirma que a área tem muitas onças e outros animais como antas, capivaras e tuiuiús.
Devido ao difícil acesso e à presença de animais silvestres, o conselho do pescador é visitar o local sempre acompanhado por um guia. O local é isolado e só pode ser acessado de barco. Fica a cerca de 100 km do município de Miranda e a duas horas da ponte do Passo do Lontra.
Apenas a modalidade pesque e solte é permitida aos pescadores. Os rios têm dourados, pacus e pintados, segundo Girotto.
Convivência entre onças e humanos tem limites
Pesquisadores alertam para a necessidade de estabelecer limites na convivência entre onças-pintadas e humanos no Pantanal. O ataque que matou o caseiro Jorge Avalo em abril do ano passado levou à instalação de câmeras para monitorar a região. A onça-pintada envolvida no ataque foi mantida em cativeiro. Especialistas explicam que a saúde das araras pode revelar as condições do ambiente onde elas vivem, servindo como indicador da qualidade do ecossistema pantaneiro.
