Durante uma aula prática do Pantanal Tech, em Aquidauana, o professor Dr. Matheus Gustavo da Silva, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), mostrou aos alunos os desafios da pesquisa agrícola na região. Com uma planta de algodão nas mãos, ele abriu o botão floral e revelou a marca deixada pelo bicudo, uma praga considerada a principal ameaça para os produtores de algodão no Brasil.
“Todo mundo que planta algodão no Brasil sabe que a principal praga é o bicudo”, explicou o professor. Segundo ele, o inseto se aloja nas brácteas e destrói a estrutura que deveria se desenvolver até formar o capulho. “Ao invés de você ter um capulho bonito, tem isso aqui”, disse, apontando para o dano na planta.
O algodão fica cerca de 210 dias no campo e exige um manejo difícil, com controle de pragas, doenças e acompanhamento constante. Matheus destacou que fatores como sombreamento, fisiologia e ecofisiologia também interferem na produção, podendo causar perda de botões florais.
Para os alunos, a experiência funciona como uma aula prática sobre a realidade dos produtores. O professor afirma que os orientados saem preparados por acompanharem o trabalho de perto, em uma rotina que não se limita à sala de aula. “Eu falo: vocês têm medo de sol? Têm sábado e domingo que não querem trabalhar? Se for esse o caso, comigo já não é o caso”, contou.
Além do algodão, o grupo também trabalha com cana e soja, em parcerias com empresas e testes de produtos. Em Aquidauana, no entanto, os desafios vão além do solo, do clima ou dos insetos. Matheus relatou que a cana plantada na área experimental sofreu ataque de capivaras. Os animais comeram parte das plantas, obrigando a equipe a nivelar novamente a área para refazer o experimento.
“A gente teve problema de ataque aqui de capivara. Elas comeram bastante, aí a gente teve que nivelar ela de novo para estar refazendo o experimento”, disse. Segundo o professor, antas também passam pela área e causam prejuízo ao entrar no meio da lavoura e quebrar as plantas. “Aqui o principal problema é capivara e anta. A anta quebra, entra no meio e vai quebrando tudo”, afirmou.
O milho é uma cultura ainda mais complicada de manter. O problema começa no plantio, quando tatus podem comer os grãos. Depois, quando a planta nasce, aparecem capivaras, antas e veados. Na fase de formação da espiga, maritacas, papagaios e anus atacam os grãos. “Plantar a gente planta, só que aí o que acontece? Você tem tatu que come o milho quando põe o grão no solo. Você tem capivara, anta, veado, que vêm na hora que o milho está saindo e comem. Depois, quando o milho floresce, forma a espiga, vêm as maritacas, papagaio, anu, comem tudo”, explicou.
Por isso, o algodão foi uma escolha estratégica. Apesar do manejo complexo e da praga do bicudo, a cultura não atrai animais silvestres. “A gente plantou algodão justamente porque animal silvestre não vai comer algodão. Para a gente foi bom por essa perspectiva de conseguir conduzir um experimento do começo ao fim”, disse.
A soja, conforme o professor, tem menos impacto desse tipo quando cultivada em áreas maiores, como as de parceiros em Jaraguari, Dois Irmãos e Miranda. Nesses casos, os animais podem atingir as bordaduras, mas os experimentos ficam no centro das lavouras, o que reduz as perdas.
