19/07/2026
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Advogada aciona OAB e PF após coação de fintech

Advogada aciona OAB e PF após coação de fintech

A advogada Tayla Campos Weschenfelder, que move ações contra o Grupo ICA, acionou a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil) em Dourados e a Polícia Federal para denunciar ataques diretos, difamações e intimidações promovidos por representantes da empresa.

A profissional protocolou um pedido urgente de providências junto à Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas. “A tentativa de criminalizar o exercício regular da advocacia e coagir uma profissional por meio de terror psicológico é a prova máxima do desespero de quem foi desmascarado documentalmente. Não estamos lidando com um mero descumprimento de contrato, mas com um esquema complexo de dilapidação patrimonial. A advocacia não vai se acovardar diante de ameaças de quem tenta usar o medo como escudo para a impunidade”, afirmou Tayla.

Segundo o relato levado à OAB, o nível de hostilidade e coação forçou a advogada a alterar sua rotina e rotas de deslocamento na cidade, com medo por sua integridade física. “Em uma tentativa de isolar a profissional e amedrontar as vítimas, prepostos do grupo passaram a assediar os clientes da advogada, acusando-a de ‘inflamar’ a situação e proferindo ameaças de que ela ‘será acionada na hora certa’”, informou nota divulgada pela profissional.

A presidente da subseção da OAB em Dourados, Edna Borelli, afirmou que o caso será analisado. “Temos acompanhado pela imprensa que é uma situação que vem se arrastando a partir deste ano, com possível prejuízo a algumas pessoas pela empresa citada. Mas a gente precisa olhar para o advogado, para que ele possa exercer a sua função sem nenhuma violação de prerrogativa, sem nenhuma intimidação. Isso é inadmissível e nós não toleramos de forma alguma. Porque o advogado precisa trabalhar de uma forma segura e tranquila”, disse.

A Justiça de Dourados recebeu 11 ações contra o Grupo ICA cobrando R$ 5 milhões em investimentos perdidos. Os denunciantes são empresários, profissionais liberais (advogado, contador, médico veterinário) e uma servidora pública que investiram no grupo. As promessas eram de retorno de até 2,5% ao mês, mas os rendimentos deixaram de ser creditados desde março deste ano.

Os processos têm valores individuais que vão de R$ 54 mil a R$ 1.128.450,00. Os rendimentos iam bem até o primeiro semestre de 2026. Depois, conforme as ações, a operação passou a apresentar sinais de colapso financeiro e inadimplemento generalizado.

A justificativa inicial do grupo alegava uma suposta “auditoria e limitação” por parte do Banco Central, versão que caiu por terra após diligências da advogada. Questionado sobre a interrupção dos pagamentos, o grupo justificou que passa por processo de reorganização societária, operacional e regulatória, decorrente da implementação de uma nova estrutura de negócios vinculada a um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).

O Campo Grande News questionou o Grupo ICA sobre a denúncia da advogada e aguarda resposta.

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