Manifestantes ocupam as ruas centrais de Campo Grande na tarde deste sábado (12) durante a 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul. Com bandeiras, cartazes, adesivos e carro de som, mais de cem pessoas participam do ato que começou por volta das 15h40, na lateral da Praça do Rádio Clube, na Rua Barão do Rio Branco.
A concentração estava marcada para as 14h. Cerca de 50 pessoas já estavam reunidas no local antes do início da caminhada. O grupo ocupa uma das faixas da via e conta com acompanhamento da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de Trânsito. O percurso segue pelas ruas Padre João Crippa, Dom Aquino, 14 de Julho e Antônio Maria Coelho até a Avenida Calógeras, onde ocorrerá o encerramento.
De acordo com a presidente de honra da ATTMS (Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul), Crys Stefany, a marcha foi criada para dar visibilidade às pautas específicas da população trans. “A Marcha Trans é um primeiro ato que foi encabeçado pelo Kaik, um homem trans, que levantou a necessidade de termos uma marcha específica da população trans”, explicou.
Segundo Crys, a mobilização reúne coletivos como ATTMS, Trans pra Frente, Bozó das Travestis, Transpor e IBRAT-MS (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades de Mato Grosso do Sul). Ela classificou o momento como de retrocessos nos direitos da população trans e criticou projetos de lei que considera inconstitucionais. “Estamos aqui para mostrar que pessoas trans existem, que pagam impostos, merecem os mesmos direitos e que esses direitos já são garantidos pela Constituição”, afirmou.
Crys também destacou o cenário de violência no Brasil. “Vivemos no país que mais mata pessoas trans no mundo”, disse. Já o vice-coordenador do IBRAT-MS, João Vilela, classificou a primeira edição da marcha como um marco para o Estado. “A primeira Marcha Trans de Mato Grosso do Sul é um momento histórico para a luta por direitos e pela visibilidade da população trans”, declarou.
Após a caminhada, o palco montado na Avenida Calógeras receberá apresentações de Nanda Sant’Anna, DJ Afro Paty, DJ Afro Queer, DJ Deumathh, DJ Depieri e DJ Hytalo. Também está prevista uma Vogue Night, ligada à cultura Ballroom. As apresentações devem começar entre 16h30 e 17h e seguir até as 23h.
Segundo a organização, a marcha foi viabilizada sem financiamento público. A mobilização começou em novembro de 2025, organizada por meio de vaquinhas e apoio de parceiros. Embora haja articulação com parlamentares, como a deputada federal Camila Jara (PT) e a vereadora Luiza Ribeiro (PT), os organizadores afirmam que não houve repasse de recursos públicos para o evento.
